A Escolha Profissional e o Processo de Decisão

 

Rommel S. F. Nogueira
Publicado em: 09/04/2002

 

Gestão de competências é um assunto atualmente muito em voga nas organizações. Um conceito de competência pode ser apresentado como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes demonstrados pela pessoa na realização de uma tarefa. Dizemos que somos competentes numa atividade quando esse conjunto de comportamentos apresentados resulta no sucesso para a realização daquela atividade. Normalmente elas são identificadas a partir da análise de  todas as etapas das tarefas que devem ser desempenhadas para que a empresa alcance sucesso nas suas atividades. Portanto, gerir de forma adequada as competências existentes numa empresa pode garantir a manutenção do seu sucesso. Se é importante para uma empresa saber como gerir, também não o seria para o indivíduo? A resposta é bem óbvia.

Dentre as competências traçadas pela empresa ou pelo mercado na qual ela está inserida devo ser capaz de reconhecer como estão as minhas (1) para que eu possa verificar de imediato minha empregabilidade (2), bem como traçar a rota para meu gerenciamento das competências. Esses dois passos são o resumo do que eu chamo de gerenciamento pessoal das competências.

Para reconhecer minhas competências devo analisar em quais atividades sou bem sucedido e como ou por que isso ocorre. Tenho, portanto, um panorama daquilo em que sou “competente”, que me motiva e que me sinto seguro para realizar. Mas não devo parar por aí, é preciso identificar em quais pontos tenho falhado e por quê. Isso pode sinalizar os óbices para o melhoramento, ou seja, aquilo que me faz não me empenhar tanto nas atividades.  Como etapa final dessa auto-análise devo considerar se há barreiras ao meu desempenho pessoal e escolha profissional.

A verificação da empregabilidade é um processo comparativo entre esses resultados e os requeridos pela empresa. Por exemplo, exige-se de uma secretária falar inglês e português, poderíamos dizer que não basta ter domínio dos dois idiomas, ela deve saber redigir cartas e de forma intempestiva às necessidades, caracterizamos rapidamente uma competência. Na comparação podemos verificar se: estou aquém, como por exemplo não falo inglês ou não sou capaz de redigir cartas ou as encaminho fora do prazo; estou adequado, tenho cumprido satisfatoriamente o esperado;  estou mais habilitado do que o exigido, falo inglês, alemão e francês ou faço estudo e pareceres; estou inadequado por formação, sou exímio negociador e tenho capacidade de falar inglês/português e redigir cartas, porém não sou capaz de executar tarefas de secretariado. Portanto, posso me classificar em uma das quatro formas em negrito.

A partir dessa análise, inicio meu planejamento pessoal de gerenciamento das competências. Estando aquém, busco o aperfeiçoamento por meio de treinamento ou remoção das barreiras ao desempenho. Caso esteja adequado é preciso manter essa situação, identificando o que ocorre no trabalho que é positivo e que me faz empenhar nele. Por fim, se inadequado ou se estou mais habilitado, é hora de verificar o que o mercado ou a empresa oferece, pois corro o risco de perder tal habilitação caso me mantenha apenas na competência exigida.

InPA – Instituto de Psicologia Aplicada

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