Sessão de Terapia

Fábio Augusto Caló
Publicado em 27/10/2013

sessao-de-terapiaAssim como na série exibida na GNT, a sessão de terapia na vida real é cheia de detalhes, repleta em aspectos bem específicos de uma relação não convencional, a relação entre um cliente e um terapeuta. Há, certamente, diferenças significativas nessa sessão dependendo da escola psicológica que orienta as intervenções terapêuticas. E as escolas da Psicologia e as abordagens terapêuticas são várias: Psicanálise, Psicologia Analítica (Junguiana), Psicologia Humanista, Gestalt, Análise do Comportamento (ou Behaviorismo), dentre outras. De toda forma, independente da abordagem teórica, a terapia envolve uma relação humana diferenciada e só quem fez ou faz terapia consegue entender essa diferenciação das demais relações humanas. O objetivo desse texto é abordar brevemente aspectos da terapia, da relação terapêutica e da sessão de terapia que possam interessar aos não psicólogos.

A Terapia

Pode-se dizer que uma sessão de terapia é a unidade de um processo maior, a terapia, ou de forma mais precisa, a psicoterapia. E a terapia é um processo por meio do qual uma pessoa visita periodicamente um profissional, geralmente graduado em Psicologia, para que esse a auxilie a resolver algum problema de ordem psicológica. E que tipo de problema seria esse? Para simplificar, pode-se dizer que seria um problema de freqüência de comportamento, um déficit ou excesso comportamental. Nessa visão, há a premissa de que comportamento é o que uma pessoa faz, o que ela pensa, o que ela sente e o que ela diz. Como exemplo, uma pessoa procura a terapia porque rompeu o casamento e não consegue parar de pensar no ex cônjuge, embora saiba que o rompimento era necessário (excesso comportamental). Essa mesma pessoa também se queixa de que não tem se concentrado no trabalho (déficit comportamental) e que tem se sentido mal a maior parte do dia (excesso comportamental). A terapia, então, ajudaria ou deveria ajudar essa pessoa a reduzir a frequência dos comportamentos indesejados, os quais estão em excesso e a aumentar a freqüência dos comportamentos desejados que estão em déficit.

Uma importante questão seria como a terapia, esse processo no qual cliente e terapeuta se encontram periodicamente, contribuiria para a mudança comportamental desejada. De forma resumida, pode-se dizer que, durante esse processo, o terapeuta lança mão de recursos ou técnicas terapêuticas para atingir os objetivos definidos na primeira sessão de terapia com o cliente. Sobre essas técnicas, será disponibilizado novo texto em breve.

Relação Terapêutica

A relação entre terapeuta e cliente é norteada, em primeiro lugar por princípios éticos que regem a profissão do psicólogo. Preservar o sigilo das informações tratadas nas sessões de terapia, buscar utilizar técnicas terapêuticas validadas e reconhecidas cientificamente e atentar para não manter o cliente mais tempo do que ele precisa em terapia são algumas das orientações que todo psicólogo recebe por meio do Código de Ética da profissão. Mas, há uma variável que é a pessoa do terapeuta, variável que está além dos manuais e de todo o treinamento fornecido nas clínicas escola pelas quais todo psicólogo terapeuta passa. Refiro-me à habilidade em transmitir segurança, promover acolhimento, transmitir simpatia e demonstrar empatia na relação com o cliente. Afinal de contas, qualquer pessoa que procure um profissional de saúde quer se sentir à vontade no consultório desse profissional, principalmente quando dividirá com esse profissional  acontecimentos/momentos tão importantes da vida. Sendo assim, há que se ter uma relação humana diferenciada com o terapeuta: – Ele não é um amigo, nem é conselheiro como uma tia velha e sábia, é um profissional da saúde em quem se deve depositar confiança, sobretudo em relação à melhora de um quadro psicológico que traga sofrimento e limitações.

Sessão de Terapia

É na sessão de terapia, esse encontro geralmente semanal, que a relação terapêutica se mostra com todos os seus detalhes. Terapeuta e cliente se fitam por quase uma hora, ambos falam, ambos argumentam, ambos escutam atentamente um ao outro e saem ao final da sessão, cada qual com um sentimento, com um pensamento, com uma expectativa. Há sessões nas quais o cliente desabafa, recebe acolhimento e se sente bem, acreditando que valeu cada real pago àquele profissional tão camarada. Mas, há sessões na terapia em que o cliente sente raiva, frustração e deseja sair do consultório sem a promessa de um retorno na semana seguinte. São essas emoções tão comuns noutras relações humanas que, na sessão de terapia, têm uma importância fundamental para a melhora do quadro apresentando no início do processo terapêutico. Se essas não são as emoções/comportamentos chave para serem alvo de intervenções do terapeuta, são ao menos necessárias de serem relatadas para que a relação terapêutica seja avaliada, analisada, discutida e cuidada.

Na sessão de terapia, uma pessoa relata a intimidade, compartilha acontecimentos importantes, divide pontos de vista incomuns, conta verdades até então não reveladas, tudo com a riqueza que só essa relação poderia oportunizar. No consultório, durante a sessão, sorrisos, lágrimas, lembranças ternas, saudade, pesar, ansiedade, culpa expressões de raiva e outras emoções podem se fazer presentes. Mas isso tudo é apenas um meio para que o terapeuta tenha acesso a eventos históricos, e principalmente presentes na vida da pessoa, os quais possam estar funcionalmente relacionados com o déficit ou excesso comportamental dela.

A riqueza do processo terapêutico se dá quando as partes envolvidas, cliente e terapeuta, conseguem ser claros, falam a mesma linguagem e caminham juntos para o entendimento necessário à mudança e para a mudança propriamente dita. É, na sessão de terapia, que o terapeuta intervém por meio da mediação verbal ou de técnicas não verbais. Mais do que interpretar a fala do cliente, mais do que formular hipóteses sobre o problema psicológico, o terapeuta precisa intervir e a sessão terapêutica é o momento para as intervenções e a verificação direta ou indireta dos resultados.

* Imagem disponível no site da GNT.

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