Transtorno do Pânico: o que é, causas e tratamento

Adriana de Oliveira

transtorno-do-panicoAnteriormente chamado de síndrome do pânico, o transtorno do pânico é entendido como um conjunto de alterações fisiológicas, comportamentais e emocionais. Os chamados ataques, ou crises de pânico caracterizam-se por reações súbitas e intensas do sistema nervoso simpático que desencadeiam taquicardia, dificuldade de respirar, boca seca, tremores, sudorese, tonteira, vertigens, pernas bambas, náusea, formigamento, medo de perder o controle, desmaio, terror (sensação de que algo terrível irá acontecer) e medo de morrer. Os ataques têm seu ápice por volta de dez minutos após o início, podendo durar até uma hora.

Por vezes, o transtorno do pânico se apresenta associado a outros transtornos, como de ansiedade generalizada ou especifica (como agorafobia), depressão, transtorno obsessivo compulsivo (Ver NIMH – National Institute of Mental Health). De acordo com alguns relatos de clientes que iniciam o tratamento, os ataques surgem aparentemente “do nada”, como pode ser visto a seguir:

De repente, eu senti uma terrível onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse morrer.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental do EUA, entre 2 e 4% da população mundial sofre com o transtorno de pânico. A prevalência é maior nas mulheres, numa proporção de 2:1 em relação aos homens. Os primeiros ataques, geralmente, são visto no final da adolescência e inicio da vida adulta, mas os riscos de se ter um ataque de pânico não se restringe a estas faixas etárias.

As histórias típicas das pessoas que tiveram ataques de pânicos são de uma vida normal até a ocorrência do primeiro ataque. Depois disso, suas vidas pessoais, profissionais e afetivas ficam comprometidas (Bernik e Range, 2001). Isso porque os lugares em que ocorreram os ataques de pânico, normalmente, passam a ser evitados, o que leva a restrições importantes quanto às atividades profissionais e pessoais.

Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo para sair, tenho aquela desagradável sensação no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter outra crise.

É nesse momento que outros problemas comportamentais podem surgir, tais como, depressão, ansiedade generalizada, agorafobia, ou uso indiscriminado de psicotrópicos.

Fatores influenciadores do Transtorno do Pânico

As causas dos ataques de pânico estão relacionadas, principalmente, a fatores ambientais/históricos (acontecimentos ao longo da vida) e sócio-culturais. Os fatores filogenéticos não explicam os acontecimentos, visto que as reações do sistema nervoso simpático, que surgiriam, geralmente, diante de perigos reais, aparecem em situações que não existe perigo. Assim, compreender a história de vida daquele que tem o transtorno do pânico é fundamental para o seu tratamento. Normalmente, as pessoas que sofrem de ataque do pânico costumam apresentar muitos aspectos em comum (Bernik e Range, 2001):

a) são pessoas extremamente produtivas no nível profissional;

b) costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres;

c) são muito exigentes consigo mesmas e não convivem bem com erros ou imprevistos;

d) são perfeccionistas com excessiva necessidade de estar no controle e de ter a aprovação dos outros;

e) têm tendência a se preocupar demais com os problemas do dia a dia;

f) possuem alto nível de criatividade;

g) possuem auto-expectativas extremamente altas e tem fortes regras;

h) não sabem diferenciar seus sentimentos; e

i) tem uma grande tendência à não perceber suas necessidades físicas.

Outras características que têm sido observadas naqueles que desenvolveram o transtorno são a privação afetiva, a dependência emocional e a passividade nas relações interpessoais.

Tratamento Indicado

Muitas pessoas com o transtorno de pânico acreditam que as crises podem ser passageiras e circunstanciais, não buscam e/ou não recebem apoio da família e demoram a procurar tratamento especializado. Essa demora compromete o quadro, produzindo aumento na freqüência dos ataques/crises, bem como o aumento das limitações na vida da pessoa. Além disso, por não saberem qual profissional procurar e por não entenderem as reações físicas que estão sentindo, procuram os prontos-socorros, onde nem sempre há um profissional de saúde que pode apresentar um diagnóstico preciso.

O acompanhamento médico pode ser necessário, todavia a psicoterapia, com destaque para terapia comportamental, tem se mostrado extremamente eficaz no tratamento de indivíduos com transtorno do pânico. A terapia comportamental – TC – objetiva a promoção de auto-conhecimento, levando a pessoa a compreender eventos na sua vida que desencadeiam e/ou mantém o pânico. Além disso, a TC dispõe de técnicas para expor a pessoa a situações que desencadeariam o pânico, lenta e gradualmente, de forma que haja uma dessensibilização para o local “temido”, ensinando-o a enfrentar suas limitações de forma menos estressante. Nesta terapia, é enfatizada a importância de se aprender a colocar limites nas relações interpessoais, entender que não se deve viver para agradar outras pessoas e que não se deve sentir responsável por todos e por tudo. Vale ressaltar que a pessoa pode, paralelamente à psicoterapia, se engajar no tratamento medicamentoso, mas se esta não mudar seus comportamentos, e o contexto que a levou e/ou mantém suas crises, a tendência é que o problema persista.

O transtorno de pânico quando não tratado, produz sérias conseqüências na vida pessoal, profissional e afetiva de uma pessoa.

 

Referências

Bernik, M e Range B. (2001) Transtorno de Pânico e Agorafobia. Em Range B. (Org.), Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais. Porto Alegre: ArtMed Editora.

NIMH – National Institute of Mental Health – inhttp://www.nimh.nih.gov/publicat/anxiety.cfm

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