A Personalidade Esquizóide

Eu não posso viver sem você, mas também não posso viver com você. A pessoa esquizóide segue um padrão de procurar intensas conexões emocionais, seguido por criar distância em prol de se proteger de se sentir ultrapassada ou consumida pelo outro. Isso pode ser particularmente visto no campo sexual, mas pode ocorrer em outras áreas como em contatos emocionais íntimos.

Larry era um homem de cinquenta anos de idade que não aparenta nenhuma característica óbvia de personalidade esquizóide. Ele, casado e com filhos, popular com os amigos, e nos primeiros meses de psicoterapia, parecia ansioso para ir às sessões. A despeito da ansiedade, cancelou as sessões quando eu mandei a ele um cartão postal enquanto estava de férias — ele sentiu que eu estava muito envolvida com ele. Ele me acusou de tentar controlá-lo quando sugeri a ele que fizesse parte do meu grupo, e ele sentiu como se eu tentasse assumir o controle da vida dele enquanto ministrava sessão no Columbus Day.  Muitas pessoas temem ser excessivamente dependentes por conta do medo de ser abandonadas ou desapontadas, mas o medo de Larry era de ser consumido por mim. Ele se defendeu contra ser tomado pela sua esposa tendo uma relação intensa com uma colega por muitos anos.

Ao contrário de Larry, Phil exibiu várias características de esquizóide imediatamente. Ele era magro e jovem, com postura rígida e discurso empolgado. O afeto dele é plano, sem interesse. Ele diz que sente como Jacques Cousteau olhando para toda a vida subaquática. Ele observa sem sentir, “Eu quero amar minha namorada, mas eu não posso.” Phil está prestes a perder uma bolsa de pós-graduação, pois ele se recusa a assistir muitas aulas; por não fazer anotações nas aulas; por nunca ter os trabalhos em dia. Por ter que seguir regras, Phil explica, se sente como sendo consumido pela escola.

Paul começa obcecado por uma mulher, mandando mensagem e conversando várias vezes por dia. Mas, quando a mulher corresponde o amor por ele e deseja passar mais tempo com ele, ou ter um relacionamento sério, ele se afasta. Ele começa a sentir que não tem mais tempo para fazer sua roupa ou ir correr. Ele passa a não responder emails ou ligações; Ele pode partir a uma viagem de negócios sem mencionar. Noutro momento, pode fazer contato com a mulher quando se sente deprimido, e ter uma conversa emocionalmente intensa com ela, ou encontrá-la numa festa e aproveitar a conversa. Mas, então, ele não ligará ou enviará emails por semanas ou meses.

Paul não quer machucar essas mulheres. Ele anseia por amor e por conexão, mas ele recua com medo de ser consumido por outra pessoa ou pela perda do senso de si mesmo.

Assim, como vemos nos casos de Larry, Phil e Paul, há um contínuo de personalidade esquizóide. No caso de Larry, a dinâmica emerge ao longo do tempo na relação de transferência entre nós, enquanto que, com Paul e Phil, foi palpável quase imediatamente. Em todos os casos, a personalidade esquizóide era difícil de tratar por conta da distância emocional do paciente e o medo de apego que muitas vezes se manifesta no tratamento como uma falta de compromisso com o trabalho. Em prol de ajudar o paciente, o terapeuta tem que se lembrar que a falta de comprometimento é uma defesa. O desafio do terapeuta é de permanecer conectado com o paciente apesar de que ele pode agir como se o terapeuta e o tratamento não significassem nada para ele.

Tradução: Leonardo Murilo Leão, acadêmico de Psicologia – Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Link original: https://www.psychologytoday.com/intl/blog/life-after-50/201612/the-schizoid-personality

Imagem: https://nextfeed.com/17-signs-you-need-to-stop-relationship-time-to-break-up

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