Sem os braços de Morfeu: Insônia, suas causas e tratamento

 

Adriana de Oliveira
Publicado em: 12/05/2005

 

A insônia é um dos problemas relacionados ao sono mais freqüentes na população geral, sendo caracterizada como a falta de sono ou dificuldade prolongada ou anormal para adormecer. Não existem dados precisos sobre prevalência da insônia na população geral, mas estudos populacionais indicam uma prevalência anual de 30 a 40% para as queixas de insônia em adultos (DSM-IV). A insônia é pouco vista entre crianças e adolescentes, sendo mais observada entre adultos jovens (20 a 30 anos), começando de forma simples (como algumas noites mal dormidas) e se intensificando gradualmente (Monti, 2000). A insônia tem sido mais observada em mulheres do que em homens, porém ambos têm sido acometidos de forma significativa.

A insônia tem sido classificada em dois grupos:

1) Insônia situacional: atingem pessoas que passam por dificuldades ocasionais, como seqüestro ou assalto, ou algum evento estressor forte.

2) Insônias devido a transtornos relacionados: a insônia aparecer como um dos comportamentos de outros transtornos como ansiedade, depressão, estresse pós traumático.

Alguns critérios devem ser observados para diagnosticar a insônia, como a dificuldade para iniciar ou manter o sono do modo que esse seja reparador, ou seja, produza descanso. Esta dificuldade deve durar, no mínimo, um mês e causar sofrimento clinicamente significativo, ou seja, nota-se um prejuízo no funcionamento social (casamento, amizades) ou ocupacional (trabalho, estudo) ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. A insônia não ocorre exclusivamente durante o curso de outro transtorno do sono, como sonambulismo, ou de outro transtorno psicológico (ansiedade, depressão), nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância psicoativa (cafeína, anfetaminas) ou de uma condição médica geral, como por exemplo, problemas orgânicos como febre, labirintite dentre outros. Todavia, estes podem aparecer concomitantemente.

A insônia pode ser vista como mais de um comportamento, ou seja, a dificuldade para dormir, tem sido observada como comportamento chave para o diagnóstico. Porém outros comportamentos podem ser observados, como ansiedade do indivíduo na tentativa de controlar o sono, se engaja em atividades dificultadoras do sono, como exercício pesado antes de dormir e ate a ingestão de substâncias psicoativas.

A insônia pode ser vista como uma cadeia de comportamentos que envolvem antes da dificuldade para dormir, o engajamento em atividades dificultadoras do sono, como exercícios físicos pesados antes de dormir, o ato de assistir filmes na TV ou a ingestão de substâncias psicoativas. Como produto das ações acima mencionadas haveria, também, ansiedade do indivíduo na tentativa de controlar o sono, cansaço no dia seguinte, prejuízos ocupacionais e outros. É importante que aquele que sofre de insônia seja capaz de observar os eventos que a determinam.

Tratamento

Muitas pessoas têm recorrido aos medicamentos para solucionar o problema da insônia, sendo este um dos recursos mais usados por pessoas que apresentam esse quadro. Todavia, este recurso é o menos indicado, sendo sua eficácia pouco observada na resolver do problema, o uso de fármacos só mascara o real problema (Buela-Casal e Sierra, 1996). A Terapia Comportamental, muito indicada nos casos de insônia, propõe analisar, todos os comportamentos que estão presentes na vida da pessoa, principalmente os relacionados com o problema da insônia. Entender as conseqüências desses comportamentos será fundamental, além de se trabalhar com eventos que antecedem o dormir das pessoas acometidas de insônia. O Terapeuta Comportamental pode propor algumas técnicas para trabalhar a insônia (Buela-Casal e Sánchez, 2002), como:

1) Construção de um diário de sono: registros realizados pelas próprias pessoas, trazendo assim, tanto os eventos que antecedem o dormir como as conseqüências deste.

2) Técnica do relaxamento progressivo de Jacbson: consiste em ensinar a pessoa a relaxar por meio de uma série de exercícios no qual ele tenciona e relaxa de forma alternada diferentes grupos musculares.

3) Dessenssibilização Sistemática: visa reduzir as respostas de ansiedade, além de eliminar os comportamentos de evitação, como por exemplo, a evitação de dormir. Dentro dessa técnica três passos devem ser seguidos, como um treino de relaxamento, construção de uma hierarquia de itens ou estímulos geradores de ansiedade, avaliação e prática de imaginação.

Vale ressaltar que as utilizações dessas técnicas só terão o efeito desejado se uma análise funcional tiver sido realizada, ou seja, deve-se compreender as situações e os contextos nos quais os comportamentos ocorrem, tantos os eventos que os antecedem como suas conseqüentes.

A insônia é um problema que possui solução. Todavia, a demora por procura de tratamento especializado acaba por agravar o quadro. Dentre as complicações da insônia, pode-se destacar dificuldade de concentração, irritabilidade, tristeza, fadiga, prejuízos significativos na vida profissional e a dependência de medicamentos para dormir, os hipnóticos. O tratamento adequado pode rapidamente solucionar este problema, principalmente se não for constatado algum quadro neurológico envolvido na insônia.

Palavras-chave: Insônia, dificuldade pra dormir, sono leve, tratamento da insônia.

Referências Bibliográficas

American Psychiatric Association (1995). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV). Porto Alegre, Ed. Artes Médicas Sul, 1995, 4a ed.

Buela-Casal, G. e Sierra, J.C. (1996). Transtorno del sueño. In: Cabalho, V.E. e Buela-Casal, G. e Carrobles, V.E. (dirs.) Manual de psicopatologia y transtorno psiquiatricos. Madrid: Siglo XXI,1996.

Buela-Casal, G e Sanchez, A.I. (2001). Avaliação e Tratamento dos Transtornos do Sono. Em B. Range (Org.). Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais: um diálogo com a psiquiatria (pp. 449-460). Porto Alegre: Ed Artmed.

Monti, M.Jaime (2000). Insônia primário: diagnóstico diferencial e tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria. 22 (1)31-4.

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