Estabelecendo limites na relação conjugal

Estabelecer limites nas relações interpessoais é necessário para garantir a sustentabilidade dessas interações. Para muitas pessoas, parece mais fácil quando o limite precisa ser colocado para um estranho ou pessoa com a qual se tem pouco contato. Nesses casos, os riscos de desgastar ou encerrar a relação são pouco considerados ou nem são considerados.

Mas, imagine ter que estabelecer limites para o seu cônjuge, principalmente quando você passou anos ignorando ou negligenciando a importância desses limites. Sejam brincadeiras das quais você não gosta, comentários em momentos inadequados, críticas feitas à sua família, atrasos a compromissos que envolvem o casal ou até formas desrespeitosas de tratamento no dia a dia. Tudo isso pode e deve ser analisado, ser discutido e contar com proposta de mudanças.
As mudanças do outro, entretanto, precisam ser demandadas de forma planejada e amigável. Uma cliente de terapia conjugal que eu atendi no passado me disse que estava tentando, sem êxito, estabelecer limites com o parceiro. Num dos diálogos relatados, ela disse ao esposo: “Acho um absurdo você assistir a TV com o volume nesta altura, forçando todos a ouvirem a sua programação televisiva. Por acaso, você está ficando surdo?” É claro que essa fala foi agressiva e não trouxe bons resultados no momento em que foi apresentada. O que estaria inadequado nessa fala? Foi atribuído um peso maior diante do desconforto produzido pelo volume alto da TV e diante do questionamento agressivo “você está ficando surdo?”. Uma forma alternativa de abordar esse assunto seria: “Meu amor, podemos conversar quando você terminar de assistir à sua programação? Queria te falar que, tanto eu, quanto as crianças, têm notado o volume alto da TV e isso nos desconcentra. Seria possível abaixar um pouco esse volume?” Para que você comunique o outro sobre desagrado, para que você diga um “não” e para estabelecer qualquer tipo de limite, considere escolher (1) conteúdo, (2) momento e (3) forma do que vai falar para que a comunicação cumpra efeito sem maiores consequências negativas. Falaremos mais sobre formas afirmativas e habilidosas de comunicação conjugal num próximo post.

Por Fábio Caló, psicólogo.

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