Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)

 

Adriana de Oliveira
Publicado em: 29/03/2005

 

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é classificado como um transtorno de ansiedade, e como tal, caracteriza-se como uma classe de comportamentos inadequados a estímulos que não representam perigo real. Este transtorno está relacionado à ocorrência de algum evento “traumático” de grande magnitude no passado. Tais eventos podem ter sido situações que representaram um evento real de ameaça ou atentado contra a integridade física de si ou de outra pessoa. Como exemplo, pode-se citar acidentes de carro, seqüestros, estupros, assaltos, agressões físicas, morte de familiares ou pessoas próximas, catástrofes naturais etc. Em Brasília, um evento “traumático” com grande incidência é o seqüestro relâmpago.

A Análise do Comportamento propõe que, quando se experiencia um evento traumático, há um emparelhamento das reações comportamentais e emocionais da pessoa com os estímulos presentes (lugar, objetos, contexto, hora do dia, um tipo físico). Assim, estímulos similares passarão a desencadear as mesmas reações que as pessoas viveram naquele momento.

A reação a eventos que se assemelham ao passado, normalmente, é marcada por intenso medo, impotência frente à situação, sentimento de desamparo ou desespero. Observa-se nos quatros TEPT a revivência/reexperiencia do evento traumático (sonhos, fashbacks, imagens, pensamentos), hiperexcitação do sistema nervoso simpático mantendo-se sempre em estado de alerta, dificuldade de concentração, sentimento de culpa, e evitação de lugares, situações e até pessoas que se assemelhem ou simbolizem o evento.

De acordo com Range e Masci (2001), o Transtorno do Estresse Pós-traumático tem prevalência de 1,3 a 9% da população mundial e de pelo menos 15% nos pacientes psiquiátricos. Já em populações consideradas de risco, como veteranos de guerras ou vitimas de violência criminal a incidência varia de 3 a 58%, e quando ocorrem múltiplos acontecimentos traumáticos esse número dobra. As reações comportamentais citadas no parágrafo anterior ocorrem em qualquer idade, podendo ser observado desde crianças até idosos. Só nos Estados Unidos, acredita-se que 5.2 milhões de americanos sofrem ou sofreram com o TEPT (http://www.nimh.nih.gov/publicat/anxiety.cfm#anx4).

Observa-se um prejuízo significativo na vida das pessoas com TEPT. Há um custo elevado para a interação social, o que afeta diretamente o funcionamento da vida da pessoa. As pessoas que desenvolveram o TEPT, normalmente, se isolam, evitam contatos sociais, apresentam dificuldade no trabalho, muitas vezes devido a sua dificuldade de concentração. Em conseqüência, outros problemas comportamentais podem ser observados, como depressão, transtorno de pânico, transtorno obsessivo compulsivo, agorafobia, ansiedade generalizada, uso de psicotropicos dentre outros.

Tratamento

A demora pela busca de um tratamento especializado pode agravar o quatro do TEPT e aumentar a incidência de transtornos relacionados. O uso de medicamentos pode controlar a evolução do quatro, todavia, se a pessoa não se expuser a novas situações e quebrar o emparelhamento das situações estressoras com outros estímulos relacionados à pessoa pode continuar respondendo da mesma forma e apresentando os mesmos comportamentos. A Terapia Comportamental, a abordagem mais indicada das terapias psicológicas para tratar o TEPT, visa romper com esses emparelhamentos levando a uma habituação dos estímulos. Além disso, procura-se desenvolver habilidades de relaxamento, capacitando o cliente a controlar sua resposta emocional e fisiológica de modo a diminuir a resposta frente às situações estressoras. O aumento da rede de apoio social será de grande importância, pois aumenta as medidas de proteção e suporte, bem como o apoio emocional, proporcionando uma diminuição do sentimento de desamparo vivido pelos clientes.

Observa-se que as pessoas com TEPT após o evento traumático, não conseguem se adaptar novamente ao contexto em que estão inseridos, assim, uma releitura do ambiente será fundamental para redimensionar as situações vividas e as ameaças atuais. Nota-se que as pessoas traumatizadas gastam uma considerável energia evitando o evento já vivido, as lembranças e o sofrimento. Conseqüentemente, existe pouco espaço para a realização de atividades gratificantes. Assim, a longo prazo, estas perdem o prazer por realizar qualquer atividade. A intervenção terapêutica proporciona a uma reinserção da pessoa na sociedade, no seu ambiente familiar, no trabalho, escola e atividades que realizavam regularmente. A fuga das situações que lembram o evento e a evitação dessas situações a qualquer preço, só agravam o quadro e acarretam a cada dia mais prejuízo para a pessoa.

 

Referências

Masci, C. e Range B. (2001) Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Em Range B. (Org.), Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais. Porto Alegre: ArtMed Editora.

NIMH – National Institute of Mental Health – in –http://www.nimh.nih.gov/publicat/anxiety.cfm#anx4

InPA – Instituto de Psicologia Aplicada
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