Tratamento da Ansiedade

Por Fábio Augusto Caló

Ansiedade Normal e Ansiedade Patológica

Ontem estive na Livraria Cultura, tendo ministrado lá uma palestra que recebeu o nome Ansiedade Normal e Ansiedade Patológica. O tema, motivador, desperta o interesse de muitos porque ansiedade normal com as suas características desejáveis e indesejáveis está presente em todos nós. Quanto a ansiedade patológica cabe dizer que, segundo dados norte americanos, 25% da população global apresentou, apresenta ou apresentará algum tipo ansiedade patológica. É isso mesmo! Divida o mundo em quatro, retire uma fatia e essa será repleta em transtorno do pânico, TOC, TAG, TEPT, fobia social, fobia específica e outras classificações de transtornos de ansiedade.

Uma dúvida frequente apresentada nas palestras sobre esse tema é “o que é normal, funcional, aceitável e o que passa da normalidade e passa a ser disfuncional?”. Vamos lá. Na história de evolução da nossa espécie, a ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e capacita o indivíduo a tomar medidas para enfrentar ameaças. Não é um estado normal, mas é uma reação normal, assim como a febre não é um estado normal, mas uma reação normal a uma infecção. A ansiedade, então, dentro de certos padrões de intensidade, duração e alterações corporais sentidas está devidamente relacionada a um determinado contexto de novidade, de ameaça e de risco vago. Essas reações de ansiedade normais não precisam ser tratadas por serem naturais e auto-limitadas. Sim, elas terminam e pouco interferem negativamente no desempenho.

Já os estados de ansiedade patológicos, que constituem os transtornos de ansiedade, requerem tratamento específico. A ansiedade patológica caracteriza-se pela excessiva intensidade e prolongada duração proporcionalmente à situação precipitante. Ao invés de contribuir com o enfrentamento do objeto de origem da ansiedade, atrapalha, dificulta ou impossibilita a adaptação.

Alguns dados sobre a ansiedade patológica chamam a atenção:

– Entre 10% e 20% da população em geral faz uso de hipnóticos ou benzodiazepínicos em algum momento (Coelho et al., 2006);

– nos EUA, os transtornos de ansiedade representam 31% dos custos com a assistência à saúde mental (Barlow, 2002); e

– o custo anual dos transtornos de ansiedade para os EUA é U$ 45 bilhões.

Tratamento da Ansiedade Patológica

Uma rápida análise desses dados chama atenção para a prevalência desse tipo de transtorno mental, bem como o quanto a sociedade norte-americana despende recursos para tentar tratar o problema. Ressalto o fato de que o tratamento para as pessoas com ansiedade patológica não é, nem pode ser exclusivamente medicamentoso. É a combinação de terapêuticas disponíveis e reconhecidas e validadas cientificamente o mais indicado para um tratamento eficaz. A mudança no estilo de vida é algo soberano quando se quer ganhar em qualidade de vida e combater os efeitos dos contextos do cotidiano que produzem ansiedade disfuncional. Quero, então, concluir apontando algumas breves orientações para as pessoas que desenvolveram algum grau de ansiedade patológica e que querem resgatar qualidade de vida:

1. Mude o discurso de “o que a vida faz comigo” para “o que eu faço com a minha vida”;
2. Você não é e nem “tem” um transtorno de ansiedade;
3. Questione e reformule as regras do passado;
4. Viva o hoje bem mais que o ontem ou o amanhã;
5. Programe a sua vida a curto, médio e longo prazo, mas concentre-se no presente;
6. Comemore e vibre as conquistas, mesmo as pequenas;
7. Seja organizado e evite a procrastinação;
8. Aprenda a dizer não para as pessoas e para si mesmo;
9. Pare de brigar com aquilo que não pode mudar;
10. Aprenda técnicas de relaxamento muscular;
11. Pratique atividade física aeróbica regulamente;
12. Treine constantemente a respiração diafragmática;
13. Relacione-se socialmente com as pessoas de quem você gosta;
14. Reavalie freqüentemente as importâncias na sua vida. Noutras palavras, o que considera importante é realmente importante para você?; e
15. Espere o tempo necessário para os resultados.

Sei que algumas dessas orientações podem parecer muito difíceis de serem seguidas por aqueles que se encontram em meio a um transtorno de ansiedade. Para essas pessoas, então, sugiro que selecionem as orientações que parecem possíveis e as coloquem em prática constantemente. Acreditem que esse pequeno passo pode ser o início da grande caminhada para superar a ansiedade disfuncional.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada. Brasília, DF

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