Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz

O amor

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São versos de Jobim que tateiam o sentimento mais profundo, por vezes só revelado quando as palavras ou as lágrimas nos traem. O amor.

“Eu amei, e amei ai de mim muito mais do que devia amar
E chorei ao sentir que iria sofrer, e me desesperar”

Todos nós já terminamos um relacionamento. Todos nós já desfizemos uma grande história de amor. Sendo assim, sabemos, na mais ampla forma do saber, o “saber como”, que sempre dói e que sempre é daquelas coisas mais tristes quando se desfaz.

Não há versos com métrica, acordes melódicos ou traçado perfeito que alivie a dor. A expressão do artista, quando diante dessa circunstância, apenas revela o que ele sente, mas não o faz sentir menos a perda ou a desconstrução.

Quando o amor se desfaz, com ele se vão sonhos, projetos de vida e a vida se redefine sem querer se redefinir. Não é algo tão simples como o incipiente e inútil conselho do amigo: “Não vale à pena sofrer por essa pessoa!” Porque sabemos que não é apenas pela pessoa que se instalou sofrimento.

O sofrimento é resultante do contato com mudanças profundas e significavas, geralmente. Perdemos contextos, perdemos pessoas que eram amigos em comum, perdemos uma rotina diária e semanal, perdemos o controle e o equilíbrio. Com o término da relação, somos confrontados com a dor e o sofrimento, condições inerentes à nossa espécie. Aliás, a dor do amor perdido é dor análoga à dor de amputação.

Quando o amor se desfaz

Dói, dói muito! Há quem só queira dormir, há quem queira dar cabo da própria vida. Os mais românticos desejam acreditar que tudo não passou de pesadelo e que ele ou ela logo retornará. Mas a vida nem sempre imita a arte e, ao acordar, lá está a cama vazia porque o amor se foi. Sim, o amor se foi e o substantivo “amor” aqui não é sentimento, é a pessoa.

Em meio a essa dor e esse sofrimento, há também a percepção que trai, distorcendo faces e fatos. São faces de pessoas nas ruas que nem se parecem tanto com o amor que se foi. Mas que nos fazem olhar uma segunda vez para obtermos a certeza de que não é ela ou ele. Somos igualmente traídos pela percepção quando fatos passados, os quais nem foram tão significativos, ganham brilho especial capaz de ofuscar os motivos pelos quais a relação terminou. Parece que só lembramos dos bons momentos, do sentimento mágico e quase indescritível que nos uniu àquela pessoa tão especial.

Os primeiros acordes de uma música que nós escutamos juntos com aquela pessoa é condição que evoca o nosso pensamento. A cena do filme que assistimos juntos com ela remete ao distante momento. Todavia, agora, só nos resta o alento das lembranças do amor vivido.

Tudo mais perde o sentido quando angústia; culpa; medo; tristeza; raiva; insegurança; pensamentos obsessivos se misturam como elementos destrutivos da pequena e frágil alma humana. Uma vez que dói e nos parece que é mesmo a coisa mais triste quando se desfaz.

Mas, precisamos ter uma certeza sempre presente: – A dor vai passar e há muito o que podemos fazer para acelerar esse processo.

Inpa- Instituto de Psicologia Aplicada- Brasília

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