Anorgasmia

O que é anorgasmia?

anorgasmia

Anorgasmia pode ser definida como uma inibição recorrente ou persistente do orgasmo, manifestada por sua ausência ou retardo, após uma fase de excitação sexual adequada em termos de intensidade e duração.

Entretanto, quando a pessoa é capaz de atingir o orgasmo através de masturbação, não se considera essa inibição como anorgasmia

Isto é, pode-se experienciar desejo, excitação sexual e prazer nas relações sexuais, contudo, apresenta grande dificuldade de chegar ao ápice do prazer numa relação, que é o orgasmo.

É uma das disfunções sexuais mais comuns junto com a falta de desejo sexual. Todavia, entre os homens, a anorgasmia é menos frequente.

Tipos de anorgasmia:

  1. Anorgasmia primária: quando a pessoa nunca experimentou a sensação de orgasmo através do coito e nem mesmo na masturbação.
  2. Anorgasmia secundária: quando a pessoa já experimentou o orgasmo com certa normalidade em períodos anteriores e, por motivos variados, deixou de tê-lo de forma sistemática.
  3. Anorgasmia total ou absoluta: quando a pessoa não tem orgasmo, independentemente do tipo ou da qualidade do estímulo.
  4. Anorgasmia situacional: quando a anorgasmia ocorre em determinada situação ou com determinado parceiro ou parceira.
  5. Anedonia sexual: tipo de disfunção sexual na qual as respostas sexuais ocorrem normalmente e não se chega ao orgasmo, pois existe uma falta de prazer satisfatório (falta de desfrute sexual).

Por que se desenvolve?

As causas da anorgasmia são várias e podem ser orgânicas e psicossociais. Contudo, as causas psicossociais são as principais causas das anorgasmias femininas.

Dentre elas estão: desordens psicológicas em geral, culpa e tabu atribuídos ao sexo, desinformação, desconhecimento do próprio corpo, educação inadequada sobre sexo produzindo culpa ou pensamentos desviantes durante a relação sexual; inibição do corpo ou das preferências sexuais.

Sem contar que, traumas relacionados ao sexo, como por exemplo abuso sexual ou relações dolorosas,  podem ser motivacionais para o transtorno de anorgasmia.

As razões físicas podem envolver: desordens neurológicas, má-formação congênita, ou até mesmo, redução da sensibilidade.

Mulheres e a anorgasmia

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Estudos conduzidos nos Estados Unidos da América, Reino Unido e Suécia apontam que 40% das mulheres entre 18 e 59 anos têm queixas sexuais. E, dentre essas queixas, 24% descrevem anorgasmia.

No Brasil, um estudo conduzido por Abdo e cols. (2004) investigou 1.219 mulheres e apontou que 49% relatam transtornos sexuais, sendo que 21% dessas mulheres descreveram anorgasmia.

Conforme outro estudo em território nacional, os autores Ferreira, Souza e Amorim (2007) apontaram que 36% das mulheres pesquisadas entre 20 e 39 anos relataram transtornos sexuais, sendo que 18% parecem ter anorgasmia.

Embora haja alguma diferença percentual nos dados levantados em cada um desses estudos, podemos concluir que há uma prevalência de 20% da anorgasmia em mulheres.

Segundo estudo publicado pela Revista Brasileira de Medicina, 29% das mulheres têm dificuldades para atingir o orgasmo

Conforme as pesquisas citadas, as mulheres são a maioria dos acometidos desse distúrbio. Embora entendida como raridade, a anorgasmia masculina também pode ocorrer.

O perfil sexual dos brasileiros mostra diferenças entre homens e mulheres.

É o caso da anorgasmia ejaculatória – quando o homem atinge o orgasmo incluindo a ejaculação, porém não sente prazer equivalente a um orgasmo genuíno.

Uma das principais consequências é uma possível inibição do desejo sexual e um menor interesse pelas relações sexuais. Além disso, a anorgasmia pode diminuir a autoestima da mulher.

Vale ressaltar que, conforme os estudos de Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP, cerca de um terço das mulheres brasileiras nunca chegou a experienciar orgasmo.

Qual o tratamento?

É comum se observar nos acometidos pelo distúrbio:

– Atuação (fingimento) nas relações sexuais, simulando orgasmo;

– Sensação constante de frustração nas relações sexuais;

– Variação de formas, posições e contextos sexuais na busca frustrada pelo orgasmo;

– Esquiva/fuga de relações sexuais;

– Baixa auto estima e visão negativa sobre a vida sexual;

– Desentendimento com o parceiro sexual.

O tratamento deve ser realizado em conjunto com ginecologista e psicólogo. Um diagnóstico adequado é muito importante para que se possam dirigir melhor o tratamento. Dessa forma, procure ajuda.

Em geral, em um processo de terapia sexual, são propostas as seguintes intervenções para tratar a anorgasmia: reformulação de conceitos sobre o sexo; auto erotização como forma de autoconhecimento; relação sexual com o parceiro sem cobranças; e investimento no relacionamento conjugal (comunicação, assertividade, negociação).

E, de fato, há cura para anorgasmia?

O interesse da mulher pela melhora é de grande importância. Porque, interesse e empenho podem acelerar o tratamento.

O diálogo é fundamental. O parceiro precisa ser participativo e estar atento aos sintomas apresentados pela companheira. Caso não haja colaboração do parceiro sexual, dificilmente, a mulher conseguirá êxito em seu tratamento.

O primeiro passo é investigar possíveis causas orgânicas com o auxílio de um médico. E, caso, nenhum motivo orgânico seja encontrado é o momento de buscar ajuda profissional de sexólogos e terapeutas sexuais.

É importante que o parceiro procure realizar exames também. Existe a possibilidade de que ele sofra de disfunção erétil, podendo ser fator decisivo na dificuldade da mulher em atingir orgasmo. Por isso, o acompanhamento é necessário para o casal.

A fisioterapia do assoalho pélvico tem demonstrado resultados satisfatórios para essa disfunção. Um tratamento bastante eficaz para mulheres e que atua contra a anorgasmia com o trabalho de fortalecimento do assoalho pélvico. Aém disso, ajuda a mulher a conhecer seu corpo.

Ao receber o tratamento adequado, a condiçãserá facilmente resolvida. Por isso, observe sinais e procure ajuda de especialistas.

Orgasmo é saúde sexual.

 

Inpa –  Instituto de Psicologia Aplicada, Brasília, DF.

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