Autoconhecimento, conjugalidade e escolha

Sabemos que o autoconhecimento é ferramenta importante para o autocontrole, mas ainda que conheçamos a nós mesmos profundamente, é provável que o controle nos escape, já que o contexto que nos cerca é aquele que exerce o controle maior. Numa festa, por exemplo, podemos beber mais do que gostaríamos porque o contexto “pede” e, aí, perdemos o autocontrole e o contexto da festa e dos amigos passa a evocar o nosso comportamentos de beber.
Ainda refletindo sobre sobre autoconhecimento, cabe analisar que o mesmo contexto que traz felicidade para alguns pode produzir estado de tristeza no outro e vice-versa. Entender isso ajuda a fazemos escolhas acertadas no curto, médio e no longo prazo. Mas, qual a relação disso com a conjugalidade?

Quando nos unimos a alguém especial, estamos diante do contexto relacionamento que traz bem estar a maior parte do tempo. Reforço: – a maior parte do tempo, não todo o tempo! Por vezes, cônjuges não concordam ou não se entendem quanto a vários tópicos, restaurante, planejamento financeiro, roteiro de viagem ou programação do final de semana. E isso pode gerar grandes conflitos e produzir a ideia equivocada de que os cônjuges não são compatíveis.
É que, em meio à conjugalidade, devemos considerar a existência da nossa individualidade, ou seja, a nossa história única, idiossincrática, que faz com que certos contextos nos tragam boas emoções, mas outros nos fazem sentir mal. E, por vezes, numa relação conjugal, o que faz um feliz, deixa o outro insatisfeito.

Essa díade conjugalidade-individualidade é mais comum do que se imagina. Pouco provável é que os cônjuges gostem exatamente das mesmas coisas ou estejam sempre de acordo com com as questões do dia-a-dia ou do futuro. Estar com alguém diferente, porém aberto à transformação; estar com alguém que considere o bem estar da relação, a despeito dos conflitos existentes, isso me parece a escolha acertada.
Assim sendo, considere a individualidade do outro, assim como defende a sua própria individualidade. E entenda que, no curto prazo, um contexto com o seu parceiro(a) pode te deixar insatisfeito, mas o saldo da vida ao lado dele(a) pode ser bem positivo.

Por Fábio Caló, psicólogo.

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