Desejo Sexual Feminino

O desejo sexual

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a sexualidade é considerada como um aspecto central da vida humana. É  vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações.

Para os apaixonados, o desejo sexual, é um botão mágico que só o amor é capaz de ligar. Mas, para os cientistas, o desejo sexual não tem tanto romantismo.

Trata-se de um processo bioquímico que desequilibra rapidamente todo o corpo, descrito por vários sinais.

Conforme Sandra Leiblum, pesquisadora e sexóloga americana, o desejo sexual é um estado de sentimento subjetivo e motivador ativado por sugestões internas e externas que pode ou não resultar em um comportamento sexual efetivo.

O ciclo de resposta sexual é influenciado negativamente por fatores psicológicos. Entre eles a ansiedade, baixa autoestima, distúrbios da percepção da imagem corporal, medo de rejeição, ansiedade do desempenho sexual, experiências sexuais traumáticas passadas.

Além disso, outros fatores como desequilíbrio hormonal, condições médicas específicas, problemas musculares podem comprometer o ciclo.

O que garante o desejo sexual?

O desejo sexual é altamente estimulável.

O relacionamento nunca se limita apenas ao sexo. Por isso, manter o diálogo aberto, ajuda todo o relacionamento, e consequentemente nas relações sexuais.

Não é um padrão, porém, na maioria das vezes o sexo resulta do momento que a relação atual está passando.

Vários fatores, psicológicos e orgânicos, são motivadores para o desejo sexual. “Os hormônios femininos, como o estrogênio, e os masculinos, como a testosterona, têm um papel preponderante para que isso ocorra”, afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Aliás, as mulheres produzem testosterona nos ovários e nas glândulas suprarrenais. É comum que, quando em níveis muito baixos ocorram alterações na libido.

Tradicionalmente associada aos homens, a testosterona tem um efeito poderoso no apetite sexual feminino.

Vale ressaltar que, o ciclo menstrual pode ter participação no desejo sexual ou na falta dele. As oscilações do estrogênio durante o ciclo menstrual pode diminuir a concentração de serotonina.

Aliás, para ter uma vida sexual saudável é interessante manter uma alimentação equilibrada, em conjunto com a prática de exercícios físicos.

Desejo sexual difere da mulher para o homem?

Existe a crença popular de que os homens têm mais vontade e necessidade de sexo do que as mulheres. Porém, do ponto de vista médico, essa ideia está equivocada.

Em um estudo acerca das diferenças e similaridades de gênero no desejo sexual, as pesquisadoras Meredith Chivers e Samantha Dawson, do Departamento de Psicologia da Universidade Queen´s, no Canadá, apontaram motivos para essa crença.

O fato é que existe um duplo padrão de comportamento: os homens são incentivados a ter e realizar atitudes mais permissivas em relação à sexualidade, ao passo que as mulheres têm sido educadas a manter um padrão mais conservador de atitudes sexuais.

Sem contar que, as mulheres, costumam sofrer maiores repercussões sociais se expressarem livremente seus desejos e práticas sexuais.

Outro aspecto é a questão dos objetivos sexuais. Muitos acreditam, por exemplo, que o desejo sexual em homens parece estar relacionado com o comportamento sexual, como o prazer e orgasmo.

Enquanto que para as mulheres, a atividade sexual não parece ser o único objetivo para a “satisfação do desejo”. Elas almejam mais intimidade e proximidade.

Por isso, é comum achar que o desejo sexual feminino é menor do que o masculino.

Como conclusão, as pesquisadoras apontaram que avaliação do desejo sexual de homens e mulheres deveria captar estas dimensões subjetivas da sexualidade.

Quais os problemas que mais interferem no desejo sexual feminino?

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Uma pesquisa realizada com 749 mulheres na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, revela que o desinteresse sexual acometia 33,2% das entrevistadas e a dificuldade de lubrificação, 21,5%.

Durante a vida sexual é possível que a mulher apresente alguns problemas relacionados com a sexualidade.

Muitas mulheres desconhecem que a disfunção sexual feminina está associada à falta de desejo sexual, dificuldade em ficar excitada, lubrificação insuficiente, incapacidade de atingir o orgasmo ou dor durante a atividade sexual.

Os distúrbios mais comuns são:

  • Falta de desejo sexual;
  • Dor durante a relação sexual – dispareunia;
  • Dor ou dificuldade à penetração – vaginismo.

Sem saber o motivo, elas se culpam por não conseguir sentir prazer durante a relação com o parceiro, sentem vergonha e não procuram ajuda.

Na maioria das vezes, os distúrbios sexuais femininos tem causas psicológicas como: não conhecer, não gostar e não aceitar o próprio corpo, sentir-se feia ou pouco atraente, ter baixa autoestima, dificuldade em se entregar para o outro e/ou recebê-lo, dificuldade em assumir um “papel erótico” e mostrar sua sensualidade, medo de perder o controle e se soltar “demais” sexualmente.

Todos esses medos também impedem a mulher de relaxar e se excitar.

Existem ainda fases da vida das mulheres que podem contribuir para a queda de libido, como a gestação, por exemplo. Outra fase que afeta o desejo sexual feminino é a menopausa.

Fora isso, a falta de intimidade é outro problema que pode atrapalhar, como explicaram os especialista.

Transtorno no Desejo Sexual Hipoativo

A síndrome ou transtorno do desejo sexual hipoativo (DSH) é a condição em que a libido simplesmente desaparece. Ocorre principalmente entre as mulheres.

Deficiência, ou até mesmo a inexistência, frequente do desejo sexual ou da fantasia sexual para a prática do sexo.

É uma disfunção (ou desvio) que causa a falta de interesse sexual. Normalmente, quem sofre com esta síndrome perdem aos poucos a vontade sexual.

Ocorre principalmente entre as mulheres.

E as causas dessa diminuição podem ser tanto físicas como psicológicas. Na maioria dos casos as causas são emocionais como valorização de aspectos negativos em relação à sexualidade.

Também pode ocorrer devido ao desequilíbrio hormonal ou outros fatores orgânicos.

Ao contrário de distúrbios como disfunção erétil e a anorgasmia, o transtorno de desejo sexual hipoativo pode afetar tanto homens quanto mulheres.

Pode também ser chamada de frigidez.

O “Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais” classifica o transtorno do desejo sexual hipoativo como deficiência ou ausência persistente ou recorrente de fantasias ou desejo de ter atividade sexual.

Enquanto que, o transtorno da excitação sexual diz respeito à incapacidade persistente ou recorrente de adquirir ou manter uma resposta de excitação sexual de lubrificação até o término da atividade sexual.

Tratamento para Transtorno no Sexual Hipoativo

Os métodos de tratamento psicológico são fundamentados em intervenções não físicas, baseadas em interação verbal e não-verbal entre o terapeuta e o paciente.

A terapia comportamental cognitiva pode ser uma ferramenta eficaz no tratamento de mulheres com Transtorno Sexual Hipoativo.

O tratamento medicamentoso pode ser indicado em alguns casos. Contudo, o acompanhamento com médico especialista é de suma importância.

A Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) apontou que existem indícios de que um tratamento baseado na testosterona pode apresentar bons resultados para o transtorno hipoativo.

Estudos mostram que a deficiência de testosterona nas mulheres tem implicações que podem contribuir, para o desejo sexual hipoativo feminino.

A fisioterapia é uma área de trabalho recente no tratamento das disfunções sexuais femininas e pouco conhecida pelas equipes  de saúde da mulher.

O fisioterapeuta ligado à saúde da mulher tem um importante papel na avaliação, prevenção e tratamento das disfunções.

Conforme, a Associação Brasileira de Fisioterapia Pélvica, a fisioterapia atua como um dos tratamentos de primeira escolha para muitas das disfunções sexuais.

Portanto, a sexualidade é capaz de afetar a saúde física e mental. Além disso, pode ser afetada por fatores orgânicos, emocionais e sociais.  Por isso, ao primeiro sinal de dificuldades sexuais, é indicada a procura de médico especialista e um sexólogo.

Além disso, a terapia de casal pode ajudar na resolução de problemas sexuais que afetem a dupla.

Inpa –  Instituto de Psicologia Aplicada, Brasília, DF

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