Infidelidade conjugal

A infidelidade

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Em uma primeira análise, deve-se ter em mente o que significa traição para você. É comum a existência de concepções diferentes do que é traição.

Alguns acreditam que traição é o fato de desejar sexualmente outra pessoa. Outros creem que mesmo o desejo não sendo sexual, também é considerado traição.

Há ainda aqueles que dizem que traição já está no próprio ato de verbalizar ou falar com a outra pessoa de forma inadequada.

E por fim, a maioria acredita que ela está no ato de beijar ou ter relações sexuais com outra pessoa.

A infidelidade pode significar a ruptura de qualquer compromisso que tenhamos assumido livremente e que por qualquer circunstância foi quebrado. Dessa forma, não necessariamente, significa adultério.

Porque, o adultério refere-se exclusivamente a prática da infidelidade conjugal. Cujo princípio consiste em não manter relações de teor sexual com outrem fora do casamento.

Portanto, o que constitui um ato de infidelidade não consiste apenas na presença do comportamento sexual.

A traição

A fidelidade é muito importante para a estabilidade e sustentação de uma relação. Por isso, a infidelidade atua destruindo a relação.

Isso porque o rompimento ou quebra de um compromisso coloca em risco o casamento, uma vez que ela gera desconfiança.

Segundo pesquisadores, a descoberta de uma traição gera trauma mais severo do que trauma decorrente de acidente do carro ou de assalto a mão armada.

Conforme a Dra. Shirley Glass, uma das maiores estudiosas do tema, a infidelidade pode ser definida como “envolvimento secreto sexual, romântico ou emocional que viola o compromisso de um relacionamento exclusivo”.

A partir dessa definição, podemos enxergar os tipos de relacionamento extraconjugal que serão detalhados a seguir, de acordo com a Dra. Glass:

I – Envolvimento Principalmente Sexual: algum tipo de intimidade (de beijo ao intercurso sexual) que ocorre sem algum significado emocional;

II – Envolvimento Principalmente Emocional: moderado a profundo envolvimento emocional com intimidade física insignificante;

III – Envolvimento do Tipo Combinado: intercurso extraconjugal acompanhado de profundo envolvimento emocional.

Crises

Antes que uma crise se manifeste, surgem sinais de que algo não está bem na relação. Perceba que a crises são normais e que fazem parte de qualquer relacionamento interpessoal. As crises podem ser resolvidas com auxílio de um terapeuta de casal.

Desentendimentos frequentes, discussões por pouca coisa, brigas, falta de contato físico, a rotina, as diferenças de opiniões, os hábitos ou certos comportamentos podem desgastar o vínculo. Além disso, são sinais de que há algo errado e que uma crise pode estar próxima. Mas nem todas as pessoas conseguem identificar esses indícios.

Uma crise matrimonial não precisa significar o fim do relacionamento. Perceba que o primeiro passo é entender que é preciso ter consciência da existência da crise, porque, será o caminho para a solução.

Alguns casais preferem fingir que não há nada de errado. Esse temor em aceitar a realidade é comum, visto que, para muitos, é difícil compreender como um matrimônio que parecia normal acabou em um divórcio. Uma separação é um passo decisivo e, muitas vezes, irreversível.

Por isso, aprender a solucionar conflitos é fundamental para a saúde do casamento.

Ciúmes excessivo

Nesse contexto, um componente comum das crises conjugais é o ciúme excessivo.

O doutor Fábio Caló, especialista no assunto, apontou alguns sinais que podem identificar quando o ciúme precisa de tratamento.

  1. Muito ciúme o tempo todo
    Atenção para a intensidade e frequência com que as crises de ciúme acontecem. Caso esteja o tempo todo preocupado com uma possível infidelidade, passa horas pensando na possibilidade perder a companheira e qualquer olhadinha dela para o lado é motivo de briga, você pode estar precisando conversar com alguém sobre o assunto.                                      
  2. Detetive
    Checar as mensagens que ela mandou e recebeu no celular; ver a lista de chamadas recebidas e feitas; invadir o e-mail dela; monitorar a página das redes sociais. Investir tempo em coisas que não agregam nada a relação não é saudável, pois só gera irritabilidade e instabilidade ao relacionamento.                                                                                                   
  3. Agressividade
    Já partiu para cima de um rapaz que deu em cima da sua namorada? Já foi agressivo, física e/ou verbalmente, com ela por causa de ciúmes?  Já quebrou o celular? Se a resposta para alguma dessas perguntas foi “sim”, fique sabendo que esse tipo de atitudes não são consideradas normais.

Como lidar com a infidelidade 

Cada indivíduo tem uma tolerância para a infidelidade, alguns são capazes de perdoar, outros preferem romper definitivamente o relacionamento. Dessa forma, traição, não necessariamente, implicará em divórcio.

Contudo, a infidelidade é um dos principais motivos de crises e de divórcios nos casamentos.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o doutor Fábio Caló esclareceu algumas dúvidas sobre a infidelidade conjugal.

“O primeiro passo é descobrir se ambos desejam realmente manter a relação. Depois disso, é preciso passar por alguns estágios, difíceis e dolorosos, que envolvem muita mágoa”,explica o terapeuta de casais Fábio Caló.

“Acima de tudo, é necessário maturidade para enfrentar o problema. Os dois necessitam ter clareza da importância e da qualidade da parceria. Caso contrário, o perdão não ocorre de verdade”, completa o terapeuta.

“Haverá troca de acusações, crises de ansiedade, irritabilidade. Os homens reagem de maneira mais violenta que as mulheres, mas o processo nunca é fácil. A obsessão de esperar outra traição está sempre lá”, segundo análise do terapeuta Fábio Caló.

Gary Neuman, escritor do best seller  “A verdade sobre a traição Masculina”, apontou resultados de uma pesquisa com maridos fiéis e infiéis. Visando demonstrar que, ao contrário do que se pode pensar, a insatisfação sexual exerce um pequeno papel na decisão de trair – motivada na maioria das vezes por fatores emocionais.

Neuman entrevistou cem homens fiéis e infiéis. Na pesquisa, perguntou o motivo da infidelidade. Como resultado: 48% disseram tratar-se, principalmente, de insatisfação emocional; 32%, insatisfação emocional e sexual de igual valor; 13% revelaram outro tipo de insatisfação ou nenhuma insatisfação; e 8% citaram insatisfação sexual como principal causa.

Por isso, perceba que não existe um motivo para justificar a traição. Dessa forma, as insatisfações pessoais não devem ser entendidas como motivadoras para a infidelidade.

Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Asa Sul, Brasília – DF, Brasil

Inpa- Instituto de Psicologia Aplicada- 

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