Rotina de cuidados da casa: ”Meu marido não me ajuda o suficiente”

Rotina: cuidado da casa, cuidado dos filhos…

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A rotina começa bem cedo. Na verdade, ela se emenda com as tarefas do dia anterior. Nem são cinco horas da manhã e o bebê já mamou. Agora, ele dorme uma soneca que deve durar até por volta de 8h30.

A vontade de voltar para a cama é enorme, mas não posso. O dever me chama! Aproveito esse tempo para fazer todas as coisas que não dizem respeito diretamente ao pequeno. Aliás, na agenda, não sobra um espacinho livre.

Na hora de conceber o bebê, todo mundo sabe, é preciso um homem e uma mulher. Trata-se de uma questão biológica.

Contudo, depois que ele nasce, entra em cena só a mãe (ou quem ocupa esse lugar). “Na linha evolutiva, ela tem preparo filogenético para a maternidade, o que envolve o zelo, o cuidado, o amor, a alimentação e a higienização”, explica a psicóloga Juliana de Brito Lima, de Teresina (PI), e também colunista do blog do Instituto de Psicologia Aplicada (InPA), de Brasília (DF).

O fato é que a mulher contemporânea faz muito mais do que só cuidar do bebê. Ele é a responsável por toda a rotina familiar.  “O papel do pai é tão importante quanto o da mãe. Para promover acolhimento, crescimento e desenvolvimento adequados para a criança. Pois, isso fortalece os vínculos familiares”, afirma a pediatra neonatologista Vera Fidelman Ramalho Valverde, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

Embora ainda em um ritmo não satisfatório, Vera destaca um avanço. “Tenho percebido cada vez mais o pai presente nas consultas ao pediatra, demonstrando o seu interesse em participar ativamente no acompanhamento do seu filho, algo que, há alguns anos, era muito raro”, constata.

Cuidados com a rotina de casa

Muitas mulheres, todavia, não contam com o auxílio do companheiro na rotina de cuidados com a casa. Porque, há companheiros que não se implicam no processo. “O modo como o parceiro foi criado sinaliza qual a visão que ele tem de mãe”, explica Juliana. “Se há a concepção de que a mulher deve concentrar todos os cuidados da criança, provavelmente, ele só fará tarefas se solicitado.”

Então, um aviso para quem é dessa turma: “Quanto mais o pai se faz presente narotinado filho, melhor se desenvolvem os laços afetivos e o apego da criança com ele”, constata a psicóloga.

Quando o homem fica por perto, acompanhando as tarefas, pode aprender por observação. Se a mulher passa as instruções passo a passo, a aprendizagem se torna ainda mais efetiva. Por isso, caso ele tenha dificuldades na execução, é importante que sua parceira não aja com intolerância, agressividade ou ironia.

“É necessário ter paciência; incentivar a fazer novamente; corrigindo a falha e reconhecer quando ele se engajar em algo, agindo de modo carinhoso, como agradecer com um beijo”, analisa Juliana.

Na escola

Não bastasse a rotina em casa, à mulher também cabe a tarefa de acompanhar o percurso educacional dos filhos.

“É possível perceber não só na fala, mas na expressão reveladora das mães que, muitas delas, devido o acúmulo de tarefas, estão cansadas e solitárias nesse processo”, pontua Bete Godoy, do Instituto Para Além do Cuidar e coordenadora pedagógica da rede municipal de ensino de São Paulo.

Entretanto, é mais democrático dividir entre os adultos os direitos e os deveres também no que diz respeito à educação escolar dos filhos. Além dos demais afazeres que uma criança necessita para o seu desenvolvimento.

Os pais que participam da rotina escolar, apresentam um acompanhamento mais próximo, que contribue muito para o desenvolvimento infantil. Seja nas tarefas que a criança realiza, seja conversando com os professores sobre o que elas sabem ou têm dificuldade.

Porque quando o pequeno sabe que pode contar com o cuidado e a atenção dos pais, cada um à sua maneira, ele se sente amado. Sem contar o sentimento de segurança na constituição de sua identidade e no desenvolvimento da autonomia moral e intelectual.

“Quando isso acontece desde cedo, os laços afetivos, morais e sociais são mais intensos e saudáveis”, ressalta a pedagoga.

Por isso, a alegria que as crianças demonstram quando a família prestigia suas produções, quer saber como foi que realizaram ou mesmo quando são capazes de reconhecer sua marca é um enorme convite para novas experiências e aprendizagens.

Inpa- Instituto de Psicologia Aplicada- Brasília

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