Medo de dirigir, ansiedade ao dirigir e fobia

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O medo de dirigir faz parte da vida de muitos indivíduos.

Entrar no carro; dar a partida; engatar a marcha; soltar o freio-de-mão e dirigir até o trabalho é uma rotina comum.

Entretanto, o que é rotina para alguns é dor e tormento para outros.

O medo de dirigir atinge um número considerável de pessoas. Muitas vezes, não procuram tratamento e acabam por levar uma vida de dependência e privações.

Certamente, você conhece alguém que possui habilitação, tem um automóvel, mas não dirige. Essa pessoa pode ter mais do que uma simples ansiedade ou um medo passageiro, ela pode ter fobia de dirigir.

O medo

Graeff (1989) propõe que uma reação de medo é um conjunto de respostas comportamentais e neurovegetativas que adverte da ocorrência de dano iminente quando se é confrontado com uma ameaça à integridade física de um agressor ou de outro estímulo ambiental aversivo.

Ou seja, quando o perigo não se mostra tão evidente, mas vago e persistente, os sinais de advertência que provocariam o medo não são percebidos conscientemente, determinando, apenas, um estado de apreensão, denominado ansiedade.

O medo de dirigir seria um aumento desse estado de apreeensão, sendo que esse estado estaria diretamente e conscientemente relacionado ao ato de dirigir.

Diante do medo, pode-se até desejar que outras pessoas dirijam em ruas onde o trânsito é mais movimentado ou nas rodovias. Todavia, sendo necessário, a pessoa assume o volante do carro.

A ansiedade perante a direção

Conforme Falcone (1995), a diferença entre fobia e ansiedade é basicamente quantitativa. Isto é, depende de quanto tempo dura o episódio de ansiedade, da intensidade de ansiedade que a pessoa experimenta.

Além disso, depende da freqüência em que esta ocorre, do nível em que o comportamento de esquiva (evitação) é precipitado pela ansiedade e de como a pessoa que está ansiosa avalia essa ansiedade.

Quando se tem medo de dirigir, há um estado de apreensão (ansiedade) significativo. Porém controlável e um nível de atenção maior quando se está dirigindo.

Em suma, a ansiedade ao dirigir pode ser definida como um estado psicofisiológico de apreensão

Aliás, podendo ser experienciada, inclusive, no dia anterior àquele em que a pessoa dirigiria.

A fobia de dirigir

A fobia de dirigir, por outro lado, tem como características uma ansiedade e/ou medo intensos

Além de algumas reações corporais como sudorese, tremores nos braços e pernas, taquicardia e boca seca.

Após uma ou mais experiências como essa, a pessoa tende a se esquivar de dirigir.

Segue-se, então, uma vida cheia de limitações, onde não se pode visitar amigos que morem longe ou ir ao teatro porque a peça termina tarde.

A fobia seria um estado ainda mais intenso, que atrapalha o desempenho da pessoa ao dirigir e até impede a mesma de fazê-lo.

Cabe ressaltar, entretanto, que “fobia” é um termo técnico-científico para o estado corporal comumente definido como “medo” no senso comum.

Sendo assim, e para efeito de entendimento sobre o problema, que atinge pessoas em todas as camadas sociais, econômicas e culturais, os dois termos podem ser utilizados sem a distinção requerida no contexto acadêmico.

Qual o perfil das pessoas que têm medo de dirigir?

De acordo com alguns estudos, o perfil das pessoas que apresentam medo de dirigir (ou fobia) têm sido levantado.

São pessoas extremamente responsáveis, organizadas, detalhistas, sensíveis e inteligentes.

Em geral, têm medo de errar, ressentem-se com as críticas e exigem de si e dos outros uma conduta sempre acertada com desempenho elevado.

Dessa forma, quando dirigiram (ou se ainda dirigem) observaram sempre as falhas do outro como não acionar a seta para mudar de faixa.

São pessoas que têm um nível elevado de ansiedade generalizada, podendo, inclusive ter um transtorno como fobia social, transtorno do pânicoTEPT ou TOC.

De acordo com pesquisa realizada por Bellina, as causas do medo de dirigir, como de outras fobias não são, necessariamente, relacionadas diretamente ao objeto/ evento fóbico.

A mesma pesquisa mostra que 85% dos entrevistados eram do sexo feminino, o que revela que a mulher é grande maioria no diagnóstico para fobia de dirigir.

Etiologia e tratamento

O sentimento de medo excessivo e irracional de dirigir associado à evitação do ato de dirigir ou ansiedade intensa ao dirigir com a presença de palpitações; suores excessivos; tremores; tonturas; mal estar gástrico; dificuldade psicomotora; vontade de sair correndo pode ser classificado como um transtorno fóbico específico pelo DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Além disso, eventos ontogenéticos (história de vida da pessoa) e sócio-culturais têm sido considerados no momento de investigar os fatores que determinam a fobia.

Entretanto, não há um consenso para a Psicologia sobre sua origem exata, mas o tratamento baseado nas teorias existentes é possível e produz resultados significativos na grande maioria dos casos.

Dentre as abordagens de intervenção utilizadas, destaca-se a Terapia Comportamental pela sua eficácia.

Por fim, seguem algumas orientações para quem deseja vencer o medo/fobia de dirigir baseadas na obra de Corassa (2000):

1) Compasse a sua respiração. O ansioso tem uma respiração rápida e “curta”, utilizando, apenas, o tórax. De boca fechada, inspire lentamente pelo nariz e vá sentindo o ar chegar até os seus pulmões. Deixe seu abdômen expandir enquanto inspira, utilizando o músculo diafragma. Depois expire devagar pela boca.

2) Faça algum tipo de atividade física e relaxamento muscular, para produzir endorfinas, substâncias que neutralizarão a química da ansiedade.

3) Inicie uma aproximação com o carro mesmo dentro da garagem. Entre, ajuste o banco, sinta o espaço interno, ligue e desligue o carro.

4) Ainda dentro da garagem, ligue o carro e faça pequenos movimentos para frente e para trás.

5) Dê voltas no quarteirão em horários sem movimento. Contudo, procure ruas tranqüilas e que não tenham crianças.

6) No começo, escolha sempre um ou dois trajetos. Isto evitará ansiedade.

7) Comprometa-se consigo mesmo(a), pelo menos duas vezes por semana para praticar o exercício de dirigir. Esta prática deve ser considerada como uma tarefa do dia-a-dia. Porque o hábito diário é que fará você adquirir confiança.

8) Quando se sentir confiante, inicie trajetos maiores ou que tenham subidas e uma maior quantidade de veículos.

O Inpa

Contudo, poucas são as pessoas que conseguem superar sozinhas o medo de dirigir. E, por isso,  essas pessoas é aconselhável procurar um tratamento especializado com um psicólogo.

O Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Brasília oferece psicoterapia individual que é uma alternativa para o tratamento do medo de dirigir. Por isso, entre em contato e marque uma consulta. Fone: (61) 3242-1153

Inpa- Instituto de Psicologia Aplicada- Brasília

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