NA REALIDADE, AMOR: AMERICANOS CONCORDAM COM O QUE FAZ AS PESSOAS SENTIREM O AMOR

Americanos podem discordar em muitas coisas, mas amor pode não ser uma delas. De acordo com pesquisadores, pessoas nos EUA concordam, em sua maioria, no que as fazem se sentir amadas, há um consenso de que podem ser os pequenos gestos que mais importam.

Em um estudo, pesquisadores concluíram que pequenos gestos não românticos – como alguém demonstrar compaixão ou aconchegar-se com uma criança – encabeçaram a lista do que fazem as pessoas se sentirem amadas. Enquanto isso, comportamentos controladores – como alguém que espera saber onde elas estão o tempo todo – são vistas como os menos afetuosos.

Saeideh Heshmati, uma pesquisadora no programa de pós-doutorado, tem trabalhado com Zita Oravecz em Penn State’s College em saúde e desenvolvimento humano, diz que os resultados do estudo – publicados no Journal of Social and Personal Relationships – pode dar insights de como amor afeta pessoas no bem-estar geral.

“Nos sentirmos amados, ou não, desempenha um papel importante em como nos sentimos no nosso dia a dia.” Heshmat aponta “Estávamos curiosos se a maioria dos Americanos concorda em sobre o que faz as pessoas se sentirem amadas diariamente, ou se era algo mais pessoal. Nossos resultados mostram que as pessoas concordam com isso, e os cenários mais citados que vieram à tona não foram necessariamente românticos. Então é possível que pessoas se sintam amadas em cenário simples, rotineiros. Não precisam ser gestos grandiosos”.

Os pesquisadores recrutaram 495 americanos, adultos, para responderem um questionário sobre se eles achavam ou não que (as) pessoas se sentiriam amadas, em 60 cenários diferentes. As situações incluíam ações positivas, como ser recebido por um animal de estimação; cenários neutros, como se sentir próximo da natureza; e situações negativas como alguém agindo de modo possessivo.

Após copilar os dados, os pesquisadores os analisaram utilizando um modelo de consenso cultural – uma base para mensurar as crenças de uma cultura. Heshmait diz que enquanto alguns participantes discordaram de alguns itens – existiu um desdobramento, por exemplo, no caso de “alguém dar para você um feedback positivo na internet” se foi amável ou não – haviam muitas instancias onde os participantes concordavam.

“Concluímos que atitudes comportamentais – ao contrário de apenas expressões verbais – tiveram maior consenso no indicador sobre o que é amor. Por exemplo, muitas pessoas concordam que aconchegar uma criança, era mais amável do que simplesmente dizer eu te amo,” Heshmati diz “Você poderia pensar que eles marcariam a mesma pontuação, mas pessoas estão mais de acordo sobre atitudes amorosas, onde talvez exista mais autenticidade, ao invés da pessoa simplesmente dizer algo.”   

Participantes também concordaram em relação ao que não os fazem sentir amados. Comportamentos que podem ser classificados como controladores foram listados como sendo menos afetuosos.

“Na cultura Americana, parece que comportamentos controladores e possessivos são vistos como os menos atrativos” disse Heshmati. “Se alguém quer saber onde você está o tempo todo, ou age de forma controladora, essas ações não são amorosas para nós, mas essa pode ser uma diferença cultural. Há pesquisas mostrando que em sociedades comunitárias, esse tipo de comportamento controlador pode ser visto como afetuoso, mas aqui na América eles não são vistos como amorosos”.

A análise também foi capaz de identificar qual aspecto demográfico teve o maior conhecimento, ou qual estava mais sintonizado com o consenso cultural.

Os pesquisadores concluíram que homens tendem saber menos sobre o que a cultura americana majoritariamente considera amor, Heshmati aponta que pode ser em decorrência de que pesquisas anteriores demonstram que homens tendem a ter conceito diferente sobre o que é amor comparado as mulheres. Acrescido a isso, pessoas em um relacionamento, e pessoas com ou traços de personalidade agradáveis ou neuróticas tendem a saber mais sobre o que é consenso cultural.

Heshmati afirma que mesmo que os resultados apontem sobre como a cultura americana em geral sente a respeito do amor, indivíduos podem e tem seus próprios sentimentos pessoais sobre os que os fazem sentirem-se amados.

“Pode não ser sábio se engajar em um relacionamento presumindo que os dois pensam as mesmas coisas sobre o fato de se sentirem amados, ou sobre as mesmas coisas que fazem com que você se sinta amado” Heshmati diz “Eu acho que é importante comunicar um ao outro sobre essas coisas, o que pode ajudar na sintonia um com outro e se sentir amado em um relacionamento.”

Tradução: Leonardo Murilo Leão, acadêmico de Psicologia – Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Link original: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2017-11/ps-laa110317.php

Link da imagem: https://www.scientificamerican.com/article/for-couples-success-at-work-is-affected-by-partner-s-personality/

 

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