Terapia com realidade virtual automatizada ajuda pessoas a superarem seus medos de altura

Pesquisas apontam que a Terapia com realidade virtual automatizada ajuda pessoas a superarem seus medos de altura

Tradução: Leonardo Murilo Leão – Acadêmico de Psicologia PUC-GOIÁS

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A Oxford VR desenvolveu um programa terapêutico de realidade virtual no qual pessoas completam desafios como colher frutas ou resgatar um gato de um galho alto para superar o medo de altura.

De acordo com YouGov survey, de 2014 o medo de altura é mais comum no Reino Unido do que o medo de aranhas, cobras ou de estar em um avião. Cerca de 23% dos britânicos adultos “tem muito medo” de altura, e 35% tem um pouco de medo.

“É simplesmente o tipo mais comum de fobia. Além disso, muitas pessoas não buscam tratamento, aponta Daniel Freeman, professor de psicologia clínica na Universidade de Oxford e o autor principal do estudo. Freeman também é o co-fundador do Oxford VR, a empresa que estava envolvida no estudo.

“O que é extremamente encorajador aqui é a dimensão dos efeitos do tratamento; são realmente consideráveis” apontou.

O medo de altura

Freeman percebeu que o medo de altura era o primeiro aspecto de saúde mental a ser abordado com realidade virtual. Porém, ele aponta que as primeiras abordagens usando a realidade virtual foram como uma ajuda durante a terapia. Enquanto que, o novo sistema significa que um terapeuta treinado nem precisa estar presente.

Esse estudo vem alguns meses após o Instituto Nacional de Saúde Mental anunciar que estão investido 4 milhões de euros em terapia com realidade virtual para problemas de saúde mental. A equipe tem explorado constantemente o uso de realidade virtual para problemas que vão de esquizofrenia a depressão. Sendo assim, Freeman alegou rapidamente que mais terapeutas especializados são necessários.

A pesquisa

Conforme a pesquisa, publicado no the Lancet Psychiatry, 100 adultos que tinham medo de altura foram divididos em dois grupos. 49 foram convidados a usar um headset por meia hora duas ou três vezes por semana durante uma quinzena. Enquanto que, aqueles no outro grupo, como de costume, continuaram sem um tratamento específico.

No total, 47 pessoas realizaram pelo menos uma sessão de realidade virtual e completaram cerca de quatro sessões na média. A terapia envolve um treinador de avatar realizando uma avaliação. E após isso, convida o indivíduo a escolher um andar de um prédio virtual e pedir que ele realize atividades.

Como resgatar um gato de um galho, para explorar os pensamentos por trás de seus medos. Indivíduos tiveram seu medo de altura avaliados através de uma série de perguntas no começo do estudo. Por fim, após duas semanas do período de terapia, e de novo quando duas semanas se passaram.

Resultados

Os resultados revelaram que todos os 49 participantes do grupo de realidade virtual apresentaram uma significativa melhora em sua fobia. Com a pontuação de um questionário pessoal sobre medo de altura caindo 68% em média.

Contudo, a pontuação de quem não recebeu essa terapia mostram uma pequena queda, cerca de 3% em média. “É melhor do que você esperaria se você procurasse um terapeuta cara a cara” Freeman disse dos resultados “Nós não fizemos uma comparação direta, porém se você olhar para outros testes de tratamentos os resultados serão bem melhores”

Entretanto, o estudo tem limitações, incluindo que a queda do medo de alturas foi baseado em um questionário pessoal, e não ficou claro quais aspectos da terapia virtual foram eficazes. O estudo também não analisou se os efeitos foram mantidos a longo prazo.

Dr Warren Mansell, um psicólogo clínico da universidade de Manchester, disse que não estava surpreso com a eficácia da realidade virtual. Mas ainda não está claro se foi melhor do que a terapia convencional cara a cara, e exposição na vida real. Ou como decidir qual abordagem um indivíduo deve receber.

Porém, Mansell complementa, realidade virtual é útil. Pois oferece o potencial para os indivíduos controlarem cuidadosamente as situações a que estão expostos. Todavia, isso pode ser difícil no mundo real. Mas, diz ele, é um aspecto importante dessa terapia.

Inpa- Instituto de Psicologia Aplicada- Brasília

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