Quando a timidez atrapalha…

“Não tenho amigos, não sei fazer amizade”, “Fico ansioso só de pensar em conversar com uma mulher”. Escutamos algumas dessas frases, às vezes, na clínica. Apesar de poder parecer algo exagerado aos olhos dos outros, só o tímido sabe o quanto sofre por não se sentir bem diante de situações comuns.
Ansiedade, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura, não saber o que fazer ou o que dizer, querer desaparecer, gaguejar. De fato, só quem é tímido sabe o que é isso! “Entra mudo, sai calado”. É o que eles escutam às vezes sobre eles. Como se fosse fácil, como se fosse só pensar: “A partir de hoje não vou ser mais tímido”, e saísse por aí conversando com todo mundo.
Existem várias situações que podem nos causar timidez. E nessas situações, há vários níveis de timidez, desde o mais fraco até o mais forte. É normal quando em situações com as quais não estamos familiarizados, como por exemplo, uma palestra que surge para ministrarmos, sentirmos certa ansiedade. É uma situação nova, exige algo que nunca fizemos e não sabemos como serão as conseqüências disso tudo. O medo em certo grau é saudável, é ele que nos protege, que nos faz ficar alertas nas situações em que nos colocariam em perigo. Porém, a partir do momento em que ele nos prejudica, atrapalha o nosso desempenho social e a nossa qualidade de vida, já não é mais saudável.
A inibição, então, nos prejudica quando deixamos de fazer coisas que teríamos que fazer ou que temos vontade. Vários são os exemplos: não ter amigos por não saber como iniciar uma conversa, ter dificuldade em manter um diálogo, reprovar em uma disciplina na faculdade por não ter apresentado um trabalho em público; deixar de participar de reuniões sociais ou familiares para evitar a ansiedade que o contato com as pessoas pode causar… Tanto quanto os exemplos, vários são os motivos que colaboram para sermos tímidos: predisposição genética; pouquíssimo contato social na infância e adolescência; ter sofrido algum tipo de trauma que afete nossa auto-estima, como o bullying; ter tido algum tipo de reprovação social ou crítica ao se expor; não saber como enfrentar a situação de se expor, porque sempre conseguíamos nos livrar disso de alguma forma (pais super-protetores). Esses e outros motivos podem influenciar negativamente nas habilidades sociais de uma pessoa.
A forma mais eficaz da gente conseguir se livrar ou amenizar a nossa timidez é enfrentando-a, é se expondo, é fazer aquilo que é difícil apesar da ansiedade que a gente sente. Sim, vamos sentir ansiedade. Não, não tem como fugir disso. É preciso aprender a conviver com a ansiedade e com o medo. Uma técnica legal é fazer uma lista das situações que julgamos ser difíceis, ordenar essas situações de acordo com o grau de dificuldade e tentar realizá-las começando pelas mais fáceis. A partir do momento em que nós já conseguimos passar por uma delas, tentamos a próxima da lista. Se a nossa dificuldade é na interação com as pessoas, podemos observar como os nossos colegas interagem ou como começam uma amizade. Estar por dentro das notícias no mundo, novidades ou encontrar alguém que goste das mesmas coisas que nós, como um estilo musical é outra dica para iniciar uma conversa. Alguns livros também nos dão dicas sobre como desenvolver algumas habilidades sociais, também é interessante lê-los. Mas lembre-se que não vai ser de uma hora pra outra que nós vamos nos tornar as pessoas mais extrovertidas do mundo, e talvez nem nos tornemos, porém podemos melhorar muito. Combater a timidez é um processo difícil, gera ansiedade e exige um treinamento constante. Só de conseguirmos passar por aquelas situações que antes eram muito difíceis já é um grande passo, não? Fazer psicoterapia também ajuda e pode ser um processo mais rápido, porque o psicólogo tem experiência para nos ajudar a enfrentar as dificuldades. Além disso, pode trabalhar com outras questões que afetem indiretamente a timidez. E, então, que tal começar a vencer a sua timidez?

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