Transtorno Bipolar

As fases da bipolaridade: mania, hipomania e depressao

A palavra bipolaridade é muito usada no cotidiano. Muitas vezes quando alguém que conhecemos tem uma mudança súbita de humor, falamos brincando que essa pessoa tem transtorno bipolar. Mas esse tipo de transtorno não é tão simples assim. 

Com diferentes tipos e diversas fases, o transtorno bipolar hoje atinge cerca de 140 milhões de pessoas no mundo. Além disso, pelo menos metade das pessoas bipolares já tentaram suicídio uma vez na vida.

No texto a seguir, vamos falar sobre o que é, quais os sintomas e tratamentos, e como ajudar pessoas que sofrem desse transtorno.

O que é bipolaridade?

Transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica caracterizada pelas mudanças de humor. Ela pode ser chamada também de Doença Maníaco-Depressiva. A pessoa com esse tipo de transtorno tem momentos de depressão alternados com momentos de ânimo intenso e, entre eles, períodos de normalidade. Esses momentos são chamados de crises.

As crises causadas pelo transtorno podem ter variados níveis de intensidade, frequência e duração.

O transtorno bipolar pode ser geneticamente determinado, afetando tanto homens quanto mulheres. A bipolaridade geralmente se manifesta no final da adolescência para o início da vida adulta. No entanto, não é incomum os sintomas começarem a se manifestar na infância.

Causas do transtorno bipolar

As causas ainda são desconhecidas pela medicina. Muitos pesquisadores apontam a influência de fatores genéticos e ambientais. Além disso, alterações em áreas determinadas do cérebro e nos níveis de neurotransmissores também estão compreendidas como possíveis causas da bipolaridade.

As pessoas que têm, no histórico familiar, casos de bipolaridade têm uma predisposição para desenvolver esse transtorno. Ademais, episódios de estresse extremo, abuso infantil, disfunções da tireoide ou uso de remédios inibidores de apetite podem ser um gatilho para esse desenvolvimento.

Quais os sintomas?

A identificação da bipolaridade não é fácil. Muitas vezes, os sintomas aparecem como problemas separados, dificilmente vistos como parte de um problema maior. 

Os sintomas do transtorno bipolar são considerados graves pelo meio médico. A principal maneira de identificar o transtorno bipolar é através das fases de mania e hipomania, dois dos sintomas desse transtorno. 

A mania tem como características a agressividade, a irritabilidade, a expansividade de humor,  o aumento de energia e a aceleração de pensamentos, além de tornar a pessoa mais falante. A pessoa na fase da mania se endeusa e tem pensamentos positivos.

Já a hipomania, pouco comum e pouco diagnosticada, é uma mania leve. Apesar de ter os mesmos sintomas, a duração e a intensidade são menores. Mas não muda o fato de afetar o relacionamento do paciente com pessoas mais próximas, devido à agressividade e à irritabilidade.

O terceiro sintoma do transtorno de bipolaridade é a depressão. Ela é caracterizada pela apatia, pela tristeza profunda, pelo desinteresse, pelo cansaço, pela redução da libido e pelos pensamentos suicidas.

Pode acontecer de os sintomas se sobreporem, ocorrendo juntos, ou de serem seguidos um do outro. É importante lembrar ainda que os sintomas podem variar de acordo com o tipo de bipolaridade apresentada. 

Crises bipolares

O tempo de uma crise bipolar, ou seja, um momento de mania, hipomania ou depressão pode variar para cada paciente. O tipo de bipolaridade apresentada também influencia na duração dessas crises por isso o tratamento é importante. 

É possível identificar a vinda de uma crise em alguns casos. Alguns pacientes têm crises em determinadas épocas. Logo, isso pode ajudar na hora do tratamento do transtorno e no controle da crise.

Vale ressaltar também que, depois de uma crise, a pessoa volta ao seu estado normal. Dependendo da intensidade dela, o ambiente e as relações sociais em volta do bipolar podem ter sido afetadas. Por isso, o tratamento e controle do transtorno de bipolaridade são de suma importância.

Tipos de bipolaridade

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM.IV), e o Código Internacional de Doenças (CID10), há quatro tipos de transtorno bipolar.

A pessoa com Transtorno Bipolar tipo I tem períodos de, no mínimo, sete dias de mania e fases de humor depressivo. Pode durar de duas semanas a vários meses. Os sintomas tendem a ser tão intensos, capazes de mudar a conduta e o comportamento da pessoa, que acabam afetando os relacionamentos com outros indivíduos. Esse quadro pode ser tão grave que a internação hospitalar se torna uma opção.

Já o Transtorno Bipolar tipo II tem uma oscilação entre a depressão e a hipomania (estado mais leve da euforia e, às vezes, agressividade). Essa bipolaridade não apresenta grandes prejuízos no comportamento e nas atividades da pessoa.

Pode acontecer de os sintomas não serem suficientes, em tempo ou número, para o diagnóstico dos dois tipos de transtorno bipolar citados acima, mas são característicos desse transtorno. Nesses casos o transtorno é chamado pelos médicos de transtorno bipolar não específico ou misto.

Por fim, o último tipo de transtorno de bipolaridade é o ciclotímico. Ele é caracterizado por mudanças crônicas de humor que podem acontecer no mesmo dia. Por ser um quadro mais leve, muitas vezes pode ser confundido com um temperamento instável ou irresponsável. 

Diagnóstico do transtorno bipolar

O diagnóstico do transtorno bipolar deve ser clínico, feito por um psiquiatra, baseado no levantamento da história e no relato dos sintomas pelo paciente, pelos amigos ou familiares. Além disso, exames físicos e testes laboratoriais são essenciais para o fechamento do diagnóstico.

É preciso estar atento ao histórico familiar do paciente, já que quanto mais pessoas em um círculo familiar tiverem tal transtorno, maiores são as chances de o paciente ter também. 

O diagnóstico pode levar mais de 10 anos para ser concluído. Isso se deve pois os sinais do transtorno podem ser confundidos com os sinais de esquizofrenia, síndrome do pânico, depressão maior e transtorno de ansiedade. 

Dessa forma, é preciso um diagnóstico diferenciado antes de se buscar quaisquer remédios ou terapias para a bipolaridade.

Aliás, é preciso estar atento a outras doenças que podem vir com o transtorno de bipolaridade. Algumas delas são:

  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
  • Transtorno de Ansiedade.

Tratamento da bipolaridade

O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado e estabilizado. 

Acompanhamento com psiquiatra e psicoterapeuta são essenciais para que o paciente tenha controle do transtorno. 

Dependendo do tipo e da gravidade, o médico irá prescrever medicamentos neurolépticos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, ansiolíticos e estabilizadores de humor. 

Os postos de saúde disponibilizam os estabilizadores de humor. E o SUS oferece também outros tipos de medicamentos, caso os estabilizadores não deem resposta.

O trabalho do psicoterapeuta no tratamento da bipolaridade vai desde a aceitação da doença e da medicação até o controle de crises momentâneas.

É importante lembrar que pessoas com transtornos comportamentais, como a própria bipolaridade, estão mais vulneráveis a outros problemas de saúde, como o vício.

A psicoterapia entra como um agente importante para evitar que o paciente abuse do consumo de substâncias psicoativas, principalmente o álcool e outras drogas ilícitas.

Além do mais, hábitos alimentares saudáveis e uma vida mais ativa fisicamente ajudam assim como noites de sono regulares e a redução dos níveis de estresse.

Como ajudar?

Familiares e amigos de pessoas com transtorno de bipolaridade precisam estar sempre atentos aos sinais de crise. Muitas vezes é necessário levar ao psicoterapeuta ou psiquiatra.

É recomendável que os familiares e amigos mais próximos também iniciem a psicoterapia, com o intuito de entender e buscar orientação de como lidar com o paciente no cotidiano.

Tanto os familiares e amigos quanto a pessoa com transtorno de bipolaridade precisam entender que o tratamento é para o resto da vida e é preciso segui-lo à risca para que o paciente tenha uma boa qualidade de vida.

Share

Comente!





× Quer agendar a sua consulta?